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Segunda, 05 Fevereiro 2018

Em média, 100 trabalhadores da limpeza urbana se ferem todos os anos com objetos cortantes ou pontiagudos

  Agência Brasília

O que era para ser o início de mais um dia de trabalho para Emerson da Silva Brito, de 37 anos, terminou no hospital. “Na hora, não vi. Quando peguei os sacos, perfurei a mão; quando puxei, só senti a dor”, conta ele, que atua há três anos e três meses na coleta pública de resíduos do Distrito Federal.

O incidente ocorreu há cerca de quatro meses, quando Emerson iniciava os trabalhos na primeira quadra da rota montada para aquele dia. O que o coletor não esperava era encontrar uma agulha descartada de maneira incorreta.

“Nossas luvas são boas, mas, para materiais cortantes, as pessoas têm de ter mais consciência, ser mais educadas”, explica. Ele conta que não há tempo hábil para analisar previamente cada um das centenas de sacos recolhidos. “Temos um percurso a cumprir.”

O imprevisto rendeu sete dias de atestado, e Emerson passou a tomar, por recomendação médica, um coquetel de medicamentos. São três tipos de remédios que, segundo ele, causavam tontura no início do tratamento.

As causas dos acidentes são diversas. Também coletor, Robson Teixeira da Cunha, de 23 anos, cortou-se há cerca de dois meses com um copo quebrado, em rota na Vila Telebrasília. “Peguei o saco que tinha comida dentro e logo senti que algo cortou dois dedos de uma vez; sangrou”, relembra. O atestado foi de três dias.

A diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Kátia Campos, informa que, embora a média de feridos na limpeza urbana ainda seja alta, os números têm diminuído. Em 2015, foram 109; no ano seguinte, 94. Em 2017, 80 coletores se machucaram por causa do descarte inadequado.

“Muitas pessoas começaram a ter mais cuidado, o que pode indicar esse decréscimo”, aponta. Entre as medidas do SLU, estão cursos de capacitação para garis e o envelopamento de caminhões de coleta com dicas sobre o descarte desse tipo de material. Kátia também destaca o papel da imprensa no processo educativo.

O que a população pode fazer para evitar acidentes com os trabalhadores da limpeza urbana.

De acordo com a Secretaria de Saúde, para evitar casos como o de Emerson, seringas devem ser entregues em uma unidade básica de saúde em caixa de papelão lacrada e identificada. De lá, o descarte é feito por uma empresa especializada.

Para outros objetos cortantes e pontiagudos, existem dicas do SLU (veja arte ao lado). Além disso, a autarquia destaca a importância do cidadão jogar fora o material de acordo com o tipo — se é reciclável ou não.

As garrafas pet, por exemplo, podem ser usadas como recipientes para alfinetes, agulhas e pregos. Espetinhos de churrasco, que são considerados materiais orgânicos, também podem ser colocados nessa embalagem.

Vidros devem ser devidamente embrulhados e descartados na lixeira de orgânicos/rejeitos, já que atualmente não há viabilidade técnica, econômica e financeira para o aproveitamento desse material no DF.

“Algumas pessoas identificam [o objeto], e isso ajuda bastante”, alerta o coletor de resíduos Wilian Martins, de 36 anos, que há três semanas foi ferido por cacos de espelho quebrado.

Metais, como latas de milho e de leite condensado, devem ter as tampas pressionadas para dentro e, de forma geral, ser colocados na lixeira de recicláveis.

O SLU recomenda que a população também esteja atenta, no dia a dia, para a separação de outros tipos de resíduos recicláveis, como papel, papelão, plástico e isopor.

São considerados orgânicos itens como restos de comida, lixo de banheiro e filtro de café, além de pequenas quantidades de podas e galhos.

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